Ernesto van Peborgh

¿Las redes sociales pueden crear un mundo sustentable?

Artículo publicado en la revista Época (Brasil), sobre el libro Redes de Ernesto van Peborgh. Disponible aquí.

O argentino Ernesto Van Peborgh já alcançou postos altos no mundo corporativo. Empresário, com MBA na Universidade de Harvard, chegou à vice-presidência do Citicorp Equity Investments. Quando se encontrou com a equipe do Blog do Planeta em São Paulo, no entanto, ele não quis falar de mercado financeiro. Em vez disso, preferiu falar sobre o Titanic. A história do navio indestrutível que terminou no fundo do mar o fascina, e ele vê um grande paralelo com o mundo de hoje. Assim como o navio, na visão dele, o planeta está indo em direção ao naufrágio, graças à degradação ambiental e às mudanças climáticas. Assim como o navio, sabemos que estamos em uma trajetória perigosa, mas insistimos em acelerar o barco, emitindo mais e mais gases de efeito estufa, acreditando que o planeta é indestrutível.

Ernesto deixou o mundo corporativo para atuar em uma área nova: a intersecção entre os conceitos de sustentabilidade ambiental e o de redes sociais e da chamada web 2.0 - um de seus livros chama-se exatamente Sustentabilidade 2.0. Na semana passada, ele esteve em São Paulo para lançar seu livro mais recente, Redes: O despertar da consciência planetária.

O livro parte de uma premissa já conhecida de quem acompanha os debates sobre sustentabilidade. O planeta está no limite. O quinto relatório do IPCC, publicado no final de setembro, traça esse panorama. Segundo os cientistas do painel, nós não podemos emitir mais de 500 gigatoneladas de CO2 na atmosfera se quisermos evitarmudanças climáticas extremas. No entanto, há mais de 2,7 mil gigatoneladas que carbono debaixo da terra, e esse carbono já está sendo contado nos balanços das grandes empresas de petróleo e gás.

Como fechar essa conta? Ernesto não tem a resposta, mas diz acreditar que ela existe, e que vai surgir na internet.

A internet passou por uma grande mudança nos últimos anos. Ela deixou de ser usada de forma linear, como uma cópia de jornais e tevês, e aprofundou a colaboração. Surgiram redes sociais, como o Facebook e o Twitter, e redes colaborativas, como a Wikipedia. Para ele, essa nova internet é a sexta "linguagem" criada pela humanidade. A primeira foi a fala, seguida pela escrita, matemática, ciência e computação. "Cada vez que a humanidade cria uma nova linguagem, ocorre um salto de consciência", diz, baseando-se na filosofia de Marshall McLuhan. Ernesto afirma crer que esse salto de consciência possa ser o que falta para solucionarmos a crise ambiental do planeta.

A sua empolgação é visível quando abre o computador e começa a mostrar uma lista de reportagens e vídeos sobre feitos impressionantes de jovens em várias partes do mundo. Uma jovem da Turquia descobriu uma forma de transformar cascas de banana em plástico. Um americano de 13 anos se inspirou nas folhas das árvores e criou uma disposição de painéis solares que capta mais energia do sol. Um adolescente do Colorado criou um braço mecânico usando uma impressora 3D. E assim por diante. "Todos esses jovens estão fazendo coisas incríveis graças às informações disponíveis na internet. Eles aprenderam por conta própria, em fontes como a Wikipédia, TED e nos vários cursos disponíveis on-line."

Assim como a emissão de gases de efeito estufa aumenta de forma exponencial, a quantidade de conhecimento existente na rede também cresce. Não seria questão de tempo até um jovem encontrar uma solução nesse mundo de informações que é a internet? Ernesto afirma que sim, e por isso criou uma consultoria chamada Viagem de Odiseo. A agência organiza redes de colaboração e sustentabilidade dentro de grandes empresas, e tem clientes como a Coca-cola, Natura, Grupo Pão de Açúcar e Telefonica na Argentina.

Ao final da conversa, Ernerto me entrega um folheto. É uma cópia do bilhete de entrada do Titanic. Mas ele é otimista. "Já imaginou o que teria acontecido se os celulares existissem na época do Titanic? As pessoas tuitariam e postariam fotos do iceberg. Talvez a força dessa rede convencesse o capitão a desacelerar e tirar o Titanic da rota do iceberg." 

 

Ernesto van Peborgh

Es ingeniero, MBA de la Universidad de Harvard y empresario. En 2004 creó El viaje de Odiseo, y desde entonces se dedica a la comunicación para la sostenibilidad y a desarrollar plataformas y redes colaborativas en las organizaciones, para la construcción de conocimiento colectivo.
Fue vicepresidente del Citicorp Equity Investments y socio fundador y director del fondo de inversiones AVP-AIG Southern Cone Fund. Desempeñó el cargo de profesor adjunto de Mercado de Capitales, en la facultad de Economía de la Universidad Católica Argentina y dictó Economía Financiera, en el MBA de la Universidad de Belgrano.
Es expedicionario y Capitán del Equipo Espíritu Argentino en competencias de expedición, entre ellas el Eco Challenge de Nueva Zelanda, además de un apasionado por la Patagonia.
Sus artículos son publicados frecuentemente en el diario La Nación y es conferencista habitual sobre el poder de los medios sociales en empresas, universidades, foros internacionales y eventos como TEDx.

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